Rede e hierarquia urbana brasileira
O conceito de hierarquia urbana está baseado na noção de rede urbana, um conjunto integrado de cidades que estabelecem relações econômicas, sociais e políticas entre si. A avaliação tradicional está baseada no denominado modelo industrial, que dá prioridade à relação esta belecida entre as diferentes cidades a partir dos fluxos de mercadorias e de serviços; a avaliação recente apóia-se no chamado modelo informacional, concentrando-se na relação entre as diferentes cidades a partir dos fluxos administrativos e de informações.
Quanto maior o centro urbano, mais diversificada é sua infra-estrutura econ6mica e maiores as suas possibilidades de coordenar os principais fluxos de mercadorias e de serviços, influenciando as outras cidades da sua rede. Há, ainda, as chamadas metrópoles regionais, que exercem influência significativa sobre a região em que estão localizadas. É o caso de Manaus, Belém e Goiânia. Na hierarquia urbana, há os centros regionais, abaixo das metrópoles regionais, com as quais se complementam e polarizam a rede urbana de regiões menores. Nesse grupo estão incluídas, por exemplo, as cidades de Ribeirão Preto, Londrina, Campo Grande e Teresina.
As avaliações do processo de modernização económica resultaram na formulação de um novo modelo de hierarquia urbana, que corresponde a um avanço em relação ao modelo industrial e que contribui para um melhor entendimento da rede urbana do país. Segundo o modelo informacional, São Paulo é a metrópole mundial brasileira que exerce controle sobre os principais sistemas de comunicação que difundem as inovações por todo o país, através dos meios de comunicação.
São Paulo é considerada, portanto, a metrópole informacional. Essa liderança foi conquistada ao longo das últimas décadas e atraiu profissionais altamente qualificados de todas as regiões do país; éÍ. cidade apresenta atualmente a maior concentração de cientistas, engenheiros, administradores, especialistas em finanças, artistas, esportistas, profissionais da área de comunicações e publicitários do Brasil. O Rio de Janeiro, também de acordo com esse modelo de análise, é considerado metrópole nacional.
As cidades pequenas e médias concentram atividades que dão suporte à produção rural, como os profissionais especializados, O comércio de insumos e maquinário agrícola, os centros de transportes e de distribuição de produtos para a agricultura e a pecuária.
A expansão da Internet, com a ampliação do chamado comércio eletrónico, tende a subverter em parte a noção de hierarquia urbana, na medida em que um número crescente de usuários e empresas negociam diretamente entre si, comprando e vendendo produtos e serviços cada vez mais diversificados, independentemente de distâncias físicas e do porte das cidades em que estão sediados.
Macrocefalia e Metropolização
Macrocefalia urbana é um fenômeno urbano que ocorre principalmente em países subdesenvolvidos. É caracterizada pelo desequilíbrio populacional de uma determinada região que pode ser classificada como cidade, estado ou país onde se tornam dominantes e autoritárias em relação a outras cidades por ser favorecida pela quantidade de habitantes que contém e também pela grande quantidade de indústrias em seu território.
Este fenômeno produz cidades completamente desprovidas de infra-estrutura e planejamento, o que provoca marginalização, submoradia, aumento da violência, criminalidade, desemprego, doenças que são favoráveis à reprodução de outros problemas.
Podemos perceber a macrocefalia urbana presente em países africanos e em cidades como Trípoli (Líbia), Atenas (Grécia), Montevidéu (Uruguai), Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina), São Paulo (Brasil) e tantas outras que apresentam problemas visíveis quanto a atividades econômicas e da população que tendem a ser mais perceptíveis em metrópoles.
Em países desenvolvidos a macrocefalia urbana atinge menores proporções por causa do planejamento dos mesmos e por causa do crescimento urbano gradativo que os permite estruturar suas cidades.
A macrocefalia urbana é considerada como a maior arma letal contra a qualidade de vida, mas para os políticos em geral é uma forma de conquistar votos e a confiança da população, pois por meio dos problemas que a macrocefalia urbana provoca estes conseguem construir projetos de urbanização e habitação.
Este fenômeno produz cidades completamente desprovidas de infra-estrutura e planejamento, o que provoca marginalização, submoradia, aumento da violência, criminalidade, desemprego, doenças que são favoráveis à reprodução de outros problemas.
Podemos perceber a macrocefalia urbana presente em países africanos e em cidades como Trípoli (Líbia), Atenas (Grécia), Montevidéu (Uruguai), Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina), São Paulo (Brasil) e tantas outras que apresentam problemas visíveis quanto a atividades econômicas e da população que tendem a ser mais perceptíveis em metrópoles.
Em países desenvolvidos a macrocefalia urbana atinge menores proporções por causa do planejamento dos mesmos e por causa do crescimento urbano gradativo que os permite estruturar suas cidades.
A macrocefalia urbana é considerada como a maior arma letal contra a qualidade de vida, mas para os políticos em geral é uma forma de conquistar votos e a confiança da população, pois por meio dos problemas que a macrocefalia urbana provoca estes conseguem construir projetos de urbanização e habitação.
Metropolização é o processo em que as cidades de uma região metropolitana (ou apenas uma cidade fora de região metropolitana) estão em via de se tornarem uma metrópole, ou seja, prestes a abrigar mais de 1 milhão de habitantes em uma região ou apenas em uma cidade. No Brasil, é um fenômeno recorrente, pois se até 1960 o país tinha apenas 2 cidades com mais de um milhão de habitantes, este número hoje é bem superior. Este processo, cumpre ressaltar, costuma, ao menos no que se refere ao Brasil, vir acompanhado de um sem número de problemas sociais originados quer da precariedade das condições dos migrantes que chegam na área em processo de urbanização, quer da oferta reduzida de infra-estrutura nas comunidades urbanas dessas regiões. Ressalta-se também que o processo de metropolização pode ocorrer sem que haja necessariamente a formação de uma metrópole. Isto ocorre em áreas metropolitanas em que, mais do que a influência de uma metrópole sobre áreas adjacentes, se percebe isto sim, um rearranjo das governanças locais em prol de maior cooperação, como é o caso das áreas metropolizadas de Santa Catarina, Portugal e da Espanha. Assim, criam-se áreas metropolitanas como as do Minho, A Coruña e Joinville, que são áreas metropolitanas sem metrópole. Neste caso, em função mesmo do planejamento prévio, as conseqüências sociais costumam ser mais positivas
Problemas Urbanos
O homem, nas grandes cidades, parece esquecido, esmagado por problemas de transporte, tráfego, poluição e falta de segurança. E isto, quando tem acesso a emprego, educação e saúde. Parecia que esta maravilhosa criação da raça humana, a cidade, teria cumprido o seu destino, e agora é um obstáculo para o futuro desenvolvimento da sociedade humana.
Esta preocupação se reflete na listagem dos grandes temas que deverão constituir uma agenda para o início do próximo século. Entre eles certamente estarão:
o esgotamento do processo de urbanização nos países em desenvolvimento;
a necessidade de solucionar os problemas que as cidades enfrentam, em especial nas regiões em desenvolvimento; e
os efeitos da globalização.
As cidades, cujo crescimento foi iniciado pelo êxodo rural e agora, em muitos casos, é fomentado pelo fluxo migratório urbano-urbano, sofreram um enorme impacto e passaram a enfrentar problemas de habitação, infra-estrutura básica e social e necessidade de gerar empregos para uma população completamente despreparada para as atividades típicas destes centros. Estes problemas são agravados pela globalização das economias dos países em desenvolvimento.
Para enfrentar esta situação é preciso ter em mente que além da complexidade dos problemas urbanos será necessário, nos países em desenvolvimento, remover os obstáculos que impedem a sua solução.
Uma listagem destes obstáculos deverá incluir, obrigatoriamente:
a escassez de recursos financeiros;
a escassez de recursos humanos capacitados;
a falta de políticas nacionais e locais;
a inexistência de estruturas institucionais capazes de equacionar e resolver os problemas; e
a falta de vontade política.
A competição acirrada entre cidades e regiões por recursos para financiar as soluções dos problemas urbanos não poderá ser satisfeita pelas agencias nacionais e internacionais. Daí a necessidade de um grande esforço por parte das cidades para aumentar seus ingressos.
Os recursos humanos são tão importantes quanto os financeiros para a solução dos problemas urbanos. As carências financeiras que nos afligem exigem soluções criativas e menos onerosas, balizadas por diretrizes de políticas urbanas que somente poderão ser propostas por equipes altamente capazes e treinadas, cuja formação e desempenho dependem da existência de estruturas institucionais que possam abrigá-las.
Finalmente, mas não menos importante, é a vontade política necessária para a implantação das soluções propostas, que nem sempre são facilmente aceitas pela população. Sem esta vontade para apoiar o processo de implantação, todos os estudos e soluções propostas serão considerados, no futuro, como casos interessantes para estudo do que poderia ter sido feito no passado para evitar o caos do presente.
A concentração da população nas cidades, comparada à baixa densidade rural, é importante para permitir a implantação de programas em educação e saúde, para citar apenas dois exemplos, com ganhos de economias de escala e, consequentemente, de eficiência. Entretanto, as deseconomias de escala geradas pela falta de solução dos problemas existentes já mencionados podem anular estas vantagens.
Como afirmado anteriormente, devido à globalização, a demanda por recursos, serviços e geração de empregos está acirrando a competição entre as cidades e as regiões. Isto significa que elas devem se tornar, de acordo com o Banco Mundial, gerenciáveis, financiáveis e habitáveis. Um grande esforço deverá ser feito para atingir estes objetivos. A escassez de recursos e a competição, já mencionadas, justificam plenamente o esforço, que pode significar a diferença entre ganhadores e perdedores.
A cidade, nas diversas escalas que pode atingir, não é um fenômeno isolado. Pertence a uma região cuja economia e sistema urbano vão influenciar o seu desenvolvimento e, por sua vez, são influenciados por ela. Seu dinamismo que atrai serviços, indústrias e gera empregos é um fator de mudança; mas nenhuma cidade será boa se seu desenvolvimento não apoiar o desenvolvimento da região.
Esta preocupação se reflete na listagem dos grandes temas que deverão constituir uma agenda para o início do próximo século. Entre eles certamente estarão:
o esgotamento do processo de urbanização nos países em desenvolvimento;
a necessidade de solucionar os problemas que as cidades enfrentam, em especial nas regiões em desenvolvimento; e
os efeitos da globalização.
As cidades, cujo crescimento foi iniciado pelo êxodo rural e agora, em muitos casos, é fomentado pelo fluxo migratório urbano-urbano, sofreram um enorme impacto e passaram a enfrentar problemas de habitação, infra-estrutura básica e social e necessidade de gerar empregos para uma população completamente despreparada para as atividades típicas destes centros. Estes problemas são agravados pela globalização das economias dos países em desenvolvimento.
Para enfrentar esta situação é preciso ter em mente que além da complexidade dos problemas urbanos será necessário, nos países em desenvolvimento, remover os obstáculos que impedem a sua solução.
Uma listagem destes obstáculos deverá incluir, obrigatoriamente:
a escassez de recursos financeiros;
a escassez de recursos humanos capacitados;
a falta de políticas nacionais e locais;
a inexistência de estruturas institucionais capazes de equacionar e resolver os problemas; e
a falta de vontade política.
A competição acirrada entre cidades e regiões por recursos para financiar as soluções dos problemas urbanos não poderá ser satisfeita pelas agencias nacionais e internacionais. Daí a necessidade de um grande esforço por parte das cidades para aumentar seus ingressos.
Os recursos humanos são tão importantes quanto os financeiros para a solução dos problemas urbanos. As carências financeiras que nos afligem exigem soluções criativas e menos onerosas, balizadas por diretrizes de políticas urbanas que somente poderão ser propostas por equipes altamente capazes e treinadas, cuja formação e desempenho dependem da existência de estruturas institucionais que possam abrigá-las.
Finalmente, mas não menos importante, é a vontade política necessária para a implantação das soluções propostas, que nem sempre são facilmente aceitas pela população. Sem esta vontade para apoiar o processo de implantação, todos os estudos e soluções propostas serão considerados, no futuro, como casos interessantes para estudo do que poderia ter sido feito no passado para evitar o caos do presente.
A concentração da população nas cidades, comparada à baixa densidade rural, é importante para permitir a implantação de programas em educação e saúde, para citar apenas dois exemplos, com ganhos de economias de escala e, consequentemente, de eficiência. Entretanto, as deseconomias de escala geradas pela falta de solução dos problemas existentes já mencionados podem anular estas vantagens.
Como afirmado anteriormente, devido à globalização, a demanda por recursos, serviços e geração de empregos está acirrando a competição entre as cidades e as regiões. Isto significa que elas devem se tornar, de acordo com o Banco Mundial, gerenciáveis, financiáveis e habitáveis. Um grande esforço deverá ser feito para atingir estes objetivos. A escassez de recursos e a competição, já mencionadas, justificam plenamente o esforço, que pode significar a diferença entre ganhadores e perdedores.
A cidade, nas diversas escalas que pode atingir, não é um fenômeno isolado. Pertence a uma região cuja economia e sistema urbano vão influenciar o seu desenvolvimento e, por sua vez, são influenciados por ela. Seu dinamismo que atrai serviços, indústrias e gera empregos é um fator de mudança; mas nenhuma cidade será boa se seu desenvolvimento não apoiar o desenvolvimento da região.

